quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cozinhando na Índia

            Acho tão feliz a gente ter o que contar, o que lembrar...
            Esta semana uma amiga que conheci na Índia em 2009 me achou no facebook e fiquei muito feliz quando conversamos e compartilhamos fotos de momentos muito especiais que vivemos juntas, quando um grande grupo de brasileiros foi comemorar o Festival Gurupurnima. Na época Sai Baba nos abençoou recebendo o grupo para uma apresentação musical e nos permitiu mostrar um pouco da nossa cultura oferecendo comida brasileira na cantina ocidental.
            Foi maravilhoso ver pessoas do Brasil inteiro atuando na cozinha, lavando panelas, picando legumes, arrumando mesas, e levando nosso tempero para a Índia. Como sempre acontece comigo, as intuições já estavam chegando antes quando aproximadamente um ano antes estava pesquisando como fazer pratos brasileiros numa versão vegetariana. Como adoro cozinhar me deixei levar nessa viagem cultural nos meus livros, e nos almoços e jantares oferecidos a minha família e amigos. Mas nunca me passou pela cabeça cozinhar na Índia, muito menos chefiar a cozinha do ashran atendendo aproximadamente mil refeições...  
            Cozinhar sempre foi uma brincadeira, uma forma de compartilhar amor, e de oferecer aconchego as pessoas. Nunca uma profissão.
            Mas estava eu lá na Índia recebendo a função deste seva, e ainda tendo que chefiar pessoas que não conhecia e que poderiam até saber muito mais ou melhor do que eu...
            Na ocasião pensei muito em porque Deus nos escolhe para determinadas funções.
Porque somos escolhidos?
            Pois é, fui escolhida para chefiar a cozinha. Que experiência!
            Foi bem difícil dizer não às pessoas que na euforia de servir, de oferecer as coisas do Brasil, queriam trabalhar.  Muita gente queria ter a chance de estar ali, e tive que dizer não a varias pessoas, porque a cozinha tinha vagas limitadas e funções bem definidas as quais os grupos tinham que respeitar. Gostaria de ter dito não com amor, com carinho e respeito, mas ainda que essa fosse a minha intenção, não posso afirmar que fui bem compreendida, ou que as pessoas saíram de lá contentes comigo. Porque nunca foi fácil ouvir um não.
            Mas garanto que se não é fácil ouvir o não, também não é fácil dizê-lo.
            E esta foi também uma grande lição que aprendi neste evento, pois tive que dizer não para muita gente, num momento em que estava muito feliz em servir, que queria ser bacana, e amiga de todo mundo. Mas as coisas são como são, e em se tratando do caminho espiritual já sabia que as coisas não acontecem tranquilamente, cada coisa no seu momento. Ao contrario, muitas vezes os desafios vem junto e as vivencias se acumulam, trazem stress. Aparece um monte de gente dando palpites, inventando soluções, ou ainda fazendo pregações de atitudes corretas e maravilhosas que não conseguimos ter.
            Nem posso comentar com você, amigo leitor, tudo o que ouvi.
Foi triste perceber que não poderia agradar a todos.  
            Meus sentimentos só serenaram depois que enfrentei muitas angústias, purificações, e me recolhi em silêncio. Tive que recorrer a solidão para encontrar forças e sabedoria. Tive que calar minha mente e deixar de me importar com os resultados, com aquilo que as pessoas iriam pensar.
            Estava na Índia, num ashran, cercada de pessoas bem intencionadas e vivendo um grande conflito, um verdadeiro desafio de convivência, espiritualidade, e auto estima.
            Numa manhã resolvi dar uma volta no jardim, sentei num banco e ali entreguei a situação às forças divinas. Pedi que Baba cuidasse daquela situação, e fiz meus votos de servir com amor, de fazer o melhor que pudesse.
            Daquele momento em diante as coisas ficaram mais leves, e os fatos se sucederam como tinha que ser, sem o meu controle. Fluíram.  
            Houve sim momentos de stress, algumas caras feias, pequenos desencontros, mas aconteceram também muitas benções e pequenos milagres como um prato que inexplicavelmente “apareceu” quando tínhamos certeza que aquela comida tinha terminado.
            O que fica dessa história além das fotos, dos sorrisos, das lembranças é a certeza de que não podemos agradar a todos, e de que o não pode ser dito com respeito e amor.

Se você desejar experimentar algumas dessas receitas deixe o seu comentário com seu pedido.

Um beijo a todos,

Maria Silvia

4 comentários :

  1. Nutrir o corpo com amor e alimentos puros é tudo! Que Seva magnífico esse...

    Me recordei de uma passagem da vida de Swami, onde não havia comida suficiente para todos os devotos, então Ele foi avisado do problema. Foi até onde estavam as panelas com a comida a ser servida, pediu um coco (símbolo da prosperidade) abençoou, repartiu e derramou a água nas panelas com a comida. O alimento foi multiplicado conforme ia sendo distribuído aos devotos, as panelas não se esvaíram até o último estar alimentado de corpo e de alma. O Amor de Sai Baba não conhece fronteiras... Om Sai Ram! Om Sai Ram! Om Sai Ram...

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  2. Fiquei bem curiosa sobre q cardápio q elaboraram, pois sei q na genuína cozinha Indiana, o ato de cozinhar é como uma devoção. Tudo é produzido com orações antes de ser consumido... E nesse sentido, sua atitude intuitiva foi perfeita, recorrendo às forças divinas.
    Faço isso quando recebo missões difíceis... Falo pra Deus: Se me destes essa missão, é pq julga-me capaz, então guie-me para q eu proceda da melhor forma, para q o resultado seja aquele q o Senhor espera. Isso parece mágico, pois afasta a ansiedade e tudo fica mais leve.

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  3. Maria SIlvia, eu gostaria de receber este cardapio, com suas receitas. Se puderes me enviar adoraria.
    Amei teu blog e teu site. Vou te lincar e te seguir.
    Beijos.

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  4. celiamariareformarte@gmail.com29 de agosto de 2011 11:28

    maria silvia.. sou adepta da alimentaçao natural, vegetariana,macrobiotica, viva e etc....sei da particularidade da comida indiana e seus beneficios, tanto fisico, quanto espiritual,. na elaboraçao de qualquer atividade a conecçao c o divino, está sempre presente. existem varias formas de meditar e essa é uma delas. gostaria de receber o seu cardapio. abçs.celia maria

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