Esta semana nasceu meu netinho. Adam chegou ao mundo numa manhã fria, cercado de pessoas ansiosas por ver seu rostinho. No mesmo dia em que uma menininha recém nascida foi encontrada num saco plástico numa viela no bairro da Mooca, aqui em São Paulo. De um lado um mundo de luz, do outro um mundo de sombra, mas o que definirá o destino dessas crianças? O que define o nosso caminho. Porque seja como for, essa criança foi achada, e espero que agora esteja sendo cuidada.
O fato é que não vivemos num mundo ideal, sem traumas, sem dor, sem desafios. Ao contrário nosso mundo é farto de experiências, e ainda que acreditemos na continuidade da vida num plano espiritual, os desafios na Terra são constantes.
Se mantivermos o otimismo, que está conectado com a luz divina, tenho certeza que podemos mudar o rumo da nossa história.
As situações apesar de tristes em alguns momentos, não devem ser aceitas como definitivas. As coisas sempre podem mudar, e dependerá da nossa sabedoria interior como nos comportar nesse mundo.
Hoje de manhã pensava no quanto seria legal se pudéssemos nos comunicar com nossos entes queridos desencarnados por uma tela de computador como mostrou o filme Nosso Lar. Seria lindo se pudéssemos contar para eles o que estamos vivendo, o que aprendemos. Seria bom demais ver o que eles estão fazendo por lá, mas enquanto divagava nos primeiros pensamentos da manhã recebi a orientação de um anjo que me acompanhava. Ele me disse:
Minha filha, já imaginou o que aconteceria com pessoas sem amor se a morte fosse encarada como algo trivial? As pessoas deixariam ainda mais de valorizar a vida. Quem sabe atentariam ainda mais contra sua natureza. Poderiam inclusive se machucar na tentativa de fugir das experiências humanas, assim como alguns já fazem usando drogas. Percebemos que as pessoas não querem viver seus problemas. Muita gente quer fugir das dificuldades sem crescer, sem abrir a mente e o coração para uma saída mais amorosa ou no mínimo criativa.
O mundo, a vida precisa de fronteiras, ainda que seja para vocês superá-las.
Com certeza a morte é uma fronteira. E a vida é uma grande oportunidade de fazer tudo diferente, e enquanto estivermos vivos podemos mudar.
Ainda assim fico pensando em como será a vida daquela menina que teve a chance de nascer uma outra vez após o abandono? Gostaria de pensar que ela não saberá do seu primeiro momento de vida, porque de que servirá saber de um abandono tão triste? De que servirá saber que nasceu sem amor? Pois se a vida é uma dádiva, alguém preso na revolta pode não aproveitar a oportunidade de viver.
As vezes recebo clientes com 30, 40 anos ainda tristes com o desamor dos pais. Mas de que isso adianta? Como ensinam os mestres precisamos escolher o que carregamos conosco, pois essa carga definirá a nossa existência. Se o coração estiver leve com certeza traremos a nossa volta pessoas igualmente leves e dispostas para ajudar, caso contrário vida apos vida, criaremos um cenário triste para viver.
O mundo não é perfeito, mas com certeza pode ser um bom lugar para se viver, mesmo para a garotinha abandonada, pois os anjos colocaram uma moça para encontrá-la e oferecer a ela novamente uma chance de viver neste planeta.









