quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A Surpresa da Renúncia


Esta semana fomos surpreendidos com a renúncia do Papa. Algo totalmente inesperado.
Acho que estávamos acostumados com a segurança da figura gentil e carismática do Papa João Paulo II, que carregou o peso da idade com muita dignidade, e com certeza, por conta de sua postura cativou ainda mais o carinho dos fiéis.
Pensando em tudo isso, sinto que seria mesmo difícil substitui-lo.
Na minha visão leiga, sempre imaginei o cargo do Pontífice comparável ao de um rei. Função vitalícia de importância internacional, um enorme poder que vai muito além do aspecto religioso, e da pequena, e rica cidade do Vaticano, pois engloba enorme riqueza material, e a política internacional.
Acho que por conta de fortes memórias de vidas passadas, fui carregada por antipatias, aos homens de saia, como costumava me referir de forma pejorativa aos padres. Havia em mim um grande ressentimento aos dogmas, que remontava à inquisição, e a mortes traumáticas que tive nesse passado negro da humanidade.
Impressioante que essa dor tão antiga não tivesse sido curada...
Foi há tanto tempo, mas para minhas emoções, e mediunidade, parecia algo bem mais recente.
Confesso que foi preciso muito trabalho emocional, e de cura espiritual para expandir a consciência, e aceitar as coisas como são.
Sempre gostei de rezar, e da atmosfera tranquila de uma igreja, mas nunca me senti confortável numa missa. Achava sempre algum defeito, e como não era minha religião, achava que tinha o direito de criticar, de chamar de hipócrita o culto religioso, que carregava consigo tantas mortes. Esse sentimento cheio de vingança se transformou numa sensação tão ruim, que achei melhor me afastar, parar de criticar, e amar a Deus do meu jeito. Não precisava desse culto formal.

Descobri então o hinduísmo, e ao mesmo tempo o poder do sagrado feminino, das deusas. E em cada momento de estudo, e aprofundamento na mitologia, na magia, ia me sentindo cada dia mais em paz com o que acreditava, um mundo espiritual cheio de amor, e tolerância entre todos os povos. Aprendi o poder dos mantras, desenvolvi a mediunidade, e fui cada vez mais abrindo o leque e estudando outras religiões, e culturas. 
Tudo isso me trouxe uma visão mais natural da religião. Descobri uma forte conexão com a natureza, com a energia do planeta, com o amor.
Fez muito mais sentido pensar em Deus como uma energia. 
Para mim Deus vibrava mais no feminino. Talvez por associar ao colo da mãe, ao conforto, carinho, aconchego. Tudo aquilo que sempre desejei encontrar no divino.
E foi engraçado esse percurso, pois quando passei amar à Deusa como Iemanjá, Saraswati, Lakshmi, Durga, Afrodite, Atenas, mãe Maria e tantas outras, que são a mesma... Uma única energia vibrando com diferentes nomes, comecei fazer as pazes com o mundo.
Passei aceitar este mundo cheio de coisas estranhas, de famílias complicadas, de ricos e pobres, de pais separados, filhos abandonados, e o pior de tudo isso, gente sem amor.
Quando comecei me conectar com este amor maior da grande mãe, fui entendendo que o mundo é assim, e sempre foi.
Meio estranho, sem regras perfeitas, feito de gente em evolução!

E pessoas sempre foram, e sempre serão complexas, cheias de surpresas, de desafetos, raivas e resgates.
E é claro, que imagino, que o Papa também tenha seus aprendizados e desafios.
Também imagino, que as religiões formais também passam por transformações.
A energia do mundo está mudando, os conceitos, as idéias, a forma das pessoas viverem. E grandes instituições não tem como se isolar, e se manter fechadas, refratarias ao movimento cósmico.
Mas vale refletir que as mudanças são muito maiores internamente, nas consciências despertas.
Cada um de nós, que segue o caminho espiritual deve olhar para fora, e naturalmente também olhar para dentro, pois tudo o que acontece ao nosso redor vibra em nós, e nos exige entendimento.
Por isso, quando vi nos noticiários a perplexidade dos jornalistas, achei que uma postura mais respeitosa sobre a atitude do Papa, era mesmo a mais adequada. Porque, como vamos criticar algo que não sabemos?
Mesmo que o ocorrido nos recorde do filme Anjos e Demônios, inspirado no livro do Dan Brown, o que podemos falar do assunto, sem correr o risco de soltar afiadas farpas carregadas de mágoas e críticas ao poder da igreja?
Como nada é ao acaso, fico pensando que há um aprendizado interessante para mim também envolvendo essa história, quando exatamente na mesma semana publiquei um artigo no blog e STUM, cujo tema é bem oportuno: "Por que criticamos as pessoas?" 
Penso que está no meu tempo aprender não criticar aquilo que não conheço, e sei que esta atitude está me libertando cada vez mais da roda de samsara, eterno ciclo de vida e morte.
Quero desenvolver um olhar sábio sobre a vida. Não quero mais ser impulsionada pela dor, pelas memórias tristes do inconsciente.
Quero colaborar para o novo mundo, aquele que está surgindo dentro de cada um de nós que trilhamos o caminho da verdadeira espiritualidade, um mundo de mais amor.

Sexta-feira dia 15 de fevereiro, teremos normalmente o Grupo Sintonizadores de luz começando às 15h e seguindo até 18h.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Por que criticamos as pessoas?



Você já percebeu como este hábito negativo está enraizado no comportamento humano? Não há quem não critique os outros. Basta alguém fazer alguma coisa diferente do esperado que já saímos comentando, achando falhas, questionando, como se tudo tivesse que respeitar uma regra maluca, que pode mudar de acordo com o nosso ponto de vista atual.

Muito triste esse hábito. Totalmente egoico e sem sentido. Digo sem sentido porque parte do princípio que temos o direito de entrar na vida alheia, não apenas com nossos olhos, mas com nosso julgamento. E, se por acaso, estivermos de mal humor, no momento em que olhamos algo que nos desagrade, aí então, o mundo está perdido, porque vamos mesmo falar muito mal daquilo que está à nossa volta. E isso é um vício. Quanto mais criticamos, parece que mais direito temos de falar mal dos outros. Mas, afinal, por que fazemos isso?

Percebo que algumas pessoas simplesmente aprenderam essa forma de agir, e se deixam levar pelo hábito, sem se questionar. Simplesmente, seguem a vida sem se auto-observarem. Na maioria das vezes, essas são as mesmas que reclamam de solidão, que não têm amigos sinceros, que sofrem porque nunca encontraram ninguém que realmente as aceitasse.
Tem também aquelas pessoas que apesar de terem aberto um pouquinho mais o horizonte, continuam seguindo os hábitos da família. Falam mal, criticam, acham feio tudo aquilo que é diferente da sua criação. Buscam a zona de conforto do mundo conhecido, buscam amigos semelhantes, repetem atividades desenvolvidas pelos pais, mantêm-se em negócios da família, gostando ou não das atividades que desenvolvem. Às vezes, essas pessoas ficam tristes, depressivas e não percebem que têm vontade de mudar, de fazer coisas diferentes.

Aliás, é muito comum ter medo do novo, repudiar o desconhecido e criticar as coisas diferentes, o que inclui criticar pessoas, hábitos e até culturas fora dos seus padrões.
Lembro que quando fui à Índia pela primeira vez estranhei aquele lugar, as pessoas, o cheiro, as imagens, roupas, modo de se comportar. Foi uma verdadeira overdose de emoções. Acho que foi tão intenso o mergulho naquele mundo diferente que quebrei todos meus paradigmas de uma vez só, o que foi muito bom. Porque se quisesse manter o meu jeitinho de viver por lá, teria enfrentado um milhão de frustrações. Teria perdido lindas oportunidades de conhecer pessoas, experimentar sabores e até ver as paisagens, pois, com certeza, meus olhos tiveram que aceitar a pobreza, lugares sujos, pessoas estranhas, para apreciar o contexto.
Voltei dessa primeira viagem muito mais leve, compreendendo melhor minha própria história, porque esse negócio de fazer críticas, emitir julgamentos, pode ser ainda pior quando a gente volta a atenção para si mesmo.

Percebi que quando as pessoas são muito críticas consigo mesmas, acabam abortando suas ideias, sufocando sonhos e não se dando a liberdade de errar. Querem ser perfeitas porque imaginam que o mundo à sua volta, está prestando atenção nos seus passos, medindo suas atitudes, achando defeitos em tudo o que fazem. De novo, o ego mostrando sua tirania, tentando proteger aquele que se julga um fraco, um ser cheio de erros. Algo que remete à criação, a complexos de inferioridade, falta de amor e um tiranismo sem precedentes.


Mas será que não temos escolha? Que nascemos assim e temos que morrer assim?
Ao contrário, acho que todos nós temos que nos convidar a transformar comportamentos negativos. Penso que precisamos nos observar, não como juízes implacáveis de nossos comportamentos, mas como pais e mães amorosos de nós mesmos. Porque, pelo amor de Deus, chega de colocar a culpa em nossos pais!

Acho que a maioria de nós, que já caminhamos um pouquinho na senda espiritual, sabe que precisamos nos libertar da nossa criação, esquecer as dores da infância, compreender aqueles que nos criaram, e que podem ter errado conosco. Erros que certamente já lhes fez mal o suficiente. Um mal que não devemos perpetuar. Não é?
Assim, amigo leitor, sugiro que nos tratemos com mais amor e atenção.

Veja bem que não sou favorável à indulgência, no sentido de deixar as coisas como estão, ou fazer vista grossa para os defeitos para ser mais feliz. Até porque não acredito nesse tipo de atitude, pois não vamos conseguir fechar os olhos para tudo o que está errado e nos perturba. Mas podemos ir mudando, pouco a pouco, a forma que olhamos o mundo e as pessoas. Podemos não nos permitir irritar com as coisas que nos desagradam. Podemos, inclusive, prestar atenção no nosso estado de humor antes de soltar um comentário frio, desagradável sobre alguém.

Acho que se não temos nada positivo a falar, ou se nossa fala não vai mudar em nada os fatos, devemos sim nos questionar antes de soltar o verbo. A reforma começa dentro de nós. Você já pensou que muitas coisas lhe escapa? Já parou para pensar que por trás de um sorriso, ou de uma lágrima, pode ter algum outro sentimento ou emoção que você nem imagina?



Precisamos deixar de ser tão pretensiosos imaginando que sabemos o que o outro está pensando. Sinto que se nos permitirmos observar mais, erraremos menos. Mas observar com amor, com coração aberto, colocando-nos no lugar do outro. Fazendo o divino jogo da empatia.
Porque se não nos colocarmos no lugar do outro, jamais poderemos pedir que alguém nos compreenda, ou sinta um verdadeiro afeto por nós. Se não sentimos quem é o outro como podemos esperar que ele sinta quem nós somos?

Criticar somente nos afasta das pessoas. Olhar as coisas negativas e achar os erros é fácil; difícil é, mesmo vendo as falhas, achar a beleza. Acredite, tenha esperança e olhe a vida com amor.


Um beijo a todos,

Maria Silvia P Orlovas

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Voz da alma



Esta semana recebi uma mensagem que incentiva o desapego.
Os mestres ensinam que para ouvir a voz da alma é preciso soltar as amarras e estar pronto para ceder, para inclusive ouvir coisas que você pode não gostar.
Ouvir a alma faz bem ao coração, mas para realmente nos conectarmos com esse poder que vibra dentro de nós, precisamos deixar fluir, precisamos nos abrir para receber e lidar com coisas e situações que a princípio podem até nos desagradar.
Se quisermos o tempo todo controlar a vida e fazer tudo dar certo do nosso jeito, conseguiremos apenas ouvir a voz do Ego, e com certeza sofreremos sempre com decepções. Porque o Ego quer controlar, quer ter razão, quer mandar. Enquanto que a vida para trazer felicidade, precisa fluir.
Somos nós que mudamos os resultados quando nos soltamos. 
Temos sim, muitas ferramentas para fazer a vida ser melhor, diferente, mais feliz, inclusive sem depender tanto do sucesso das coisas boas que conseguimos realizar.
A vida que depende de nós, na verdade, depende dos olhos que temos para os fatos que nos chegam. Podemos interpretar bem ou mal qualquer coisa, qualquer situação.
Até a morte que é considerada como um grande mal, ou o mais definitivo, pode ser vista como algo natural, ou necessário para terminar com um sofrimento.

Somos poderosos.
Somos sensíveis também. O que não podemos é deixar que nossa visão sensível, e emocional nos desvie da possibilidade de aprender com as coisas que acontecem. 
Não podemos nos tornar reféns do desgosto. 
Tenho aprendido que quando assimilamos a tristeza, como parte da vida, e seguimos em frente, encontramos forças para fazer muitas coisas boas.
Vejo que para fazer algo novo, precisamos nos comprometer com aquilo que sabemos que é importante, e para isso precisamos ouvir a intuição.
Se você quer aprender um pouco mais sobre a sua espiritualidade, se sente que está maduro para a descoberta interior, invista em você. Não tenha medo da mediunidade, de acreditar nos sonhos, e não desista se as coisas por ventura derem errado.
Errar faz parte. 
E se você for humilde o suficiente para aceitar os seus erros, com certeza estará mais próximo de ouvir a voz da sua alma.
Intuição não é algo solto, sem nexo, que surge de repente, sem nada a ver com a sua história. A intuição, aquele impulso da alma, aquele direcionamento interior, sempre está conectado com o seu caminho de vida, mas muitas vezes por medo de acreditar, ou por medo das transformações que acontecerão, você pode não querer ouvir. E mesmo ouvindo sua alma o trabalho não termina por ai, porque muitas coisas, exigem de você dedicação a este movimento.
Assim não é só ouvir, é tentar colocar em prática, com paciência para alcançar os resultados. Sem medo de ser diferente... e de ser feliz!

Quarta-feira de Cinzas não teremos grupo de meditação, mas Sexta-feira dia 15 voltamos normalmente com os passes do Grupo Gratuito - Sintonizadores de Luz.

Um beijo a todos,

Maria Silvia P Orlovas