sábado, 20 de julho de 2013

À espera de elogios...




Você já reparou o quanto somos dependentes da aprovação das pessoas?
Mesmo depois de adultos, casados, com filhos, profissionalmente independentes, em muitos aspectos de nossa vida, ficamos esperando reações boas das pessoas?

Acho que dentro de um nível normal, esta espera por recompensa, carinho, aceitação e elogios é natural, porque precisamos de feedback das pessoas, queremos saber se estamos no caminho certo, se no trabalho estamos cumprindo nossas metas; se na relação íntima, estamos agradando nosso parceiro ou parceira; se estamos sendo bons pais, ou bons filhos...

Acho saudável levar em conta a opinião das pessoas a nosso respeito porque a harmonia na convivência é um maravilhoso alicerce para as boas conquistas da vida e harmonia depende da troca entre as pessoas. Uma hora é você que ajuda, estende a mão, ouve o amigo, cuida de alguém, e quando você precisa, naturalmente cultivando bons relacionamentos, alguém irá cuidar de você. Mas ainda que estejamos cultivando bons laços de amizade e relacionamentos, não podemos ficar o tempo todo reféns da opinião alheia. Precisamos desenvolver a nossa personalidade para nós mesmos nos oferecermos amor, impulso para mudanças, carinho, entendimento.

Cuidar dos outros é importante, olhar o entorno em busca de referências é natural, mas precisamos olhar para dentro também, e em igual proporção, pois se ficamos o tempo todo cuidando dos outros, numa falsa doação de amor, quase sempre deixamos de lado coisas que são importantes. Digo falsa doação porque, em alguns casos, doar-se demais esconde uma falta de amor-próprio.

Foi esse o tema do trabalho que fiz com Maria Alice, moça jovem, de pouco mais de 30 anos, procurou-me quando estava se separando do segundo marido. Buscou saber de Vidas Passadas para entender a repetição de padrões, pois nos dois casamentos se doou profundamente, cuidou do outro e da família até que a relação se esgotou. Nos dois casos, decidiu pela separação reclamando da falta de educação do marido, do comodismo e da solidão mesmo estando casada. Ela se ressentia de não ter a companhia do parceiro nas coisas corriqueiras do dia a dia.


A sessão de Vidas Passadas mostrou uma mulher que foi abandonada pelo marido que encontrou trabalho numa outra cidade, ela acabou sendo acolhida pela família, mas nunca se recuperou, sentia-se culpada pelo acontecido e num estado de tristeza começou se achar feia, gorda, sem atrativos. Assim, fechou-se para o mundo, caiu na depressão e morreu vítima de uma doença pulmonar.


Nesta vida, Maria Alice tinha constantes crises de asma na juventude e sempre o problema começava com uma discussão. Ela me disse que, ainda criança, o pai ou a mãe não podiam repreendê-la que ela caia doente, e só melhorava com os cuidados.
Já no casamento, mais madura, quis fazer tudo certo para conquistar o marido e não entendia o mal comportamento dos dois maridos que teve. Conversamos sobre autoestima, cuidar de si mesma e de colocar limites na relação.

Em alguns momentos, ela parecia estar olhando para um ET, como se meus conselhos sobre falar o que sente sem brigar, mostrar claramente sua opinião, ter um espaço seu na relação. Coisas aparentemente simples, que todos nós devemos desenvolver, e que não são exatamente conquistas. Tinha a crença que relacionamentos eram sempre complicados porque não tinha desenvolvido o amor-próprio necessário para se bastar. Era dependente de elogios, de incentivos, e muitas vezes se rebaixava para recebê-los, passava por cima de si mesma fazendo coisas contra a sua vontade. Mas confessou sentir raiva.
Claro que ela sentia raiva, mas estava tudo muito guardado.


O caminho de cura de Maria Alice se estendeu por mais um tempo, inclusive aconselhei um psicólogo, pois ela desenvolveu um vicio comportamental. Terapia nesses casos é muito importante, e ajuda demais.



Precisamos descobrir quem somos para nos relacionar de forma mais saudável com as pessoas. Se por acaso você está assim dependente da opinião alheia, cuidado, pode ser que se continuar assim você se machuque. Olhar para si mesmo, ver o que sente, e se colocar nas relações é a única forma de crescer e se libertar.


Antes que a tristeza vire um hábito e você desenvolva um estado depressivo, invista em si mesmo. Cuidar da vida espiritual ajuda muito, receber passes alivia a carga, mas além de tudo isso, você precisa ter mais amor por si mesmo!



3 comentários :

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muito boa, oportuna e necessária esta reflexão/orientação, Maria Silvia!
    Para todos nós!

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